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Friday, 14 August 2020

No coração de Deus

Em 1903 um servo de Deus, Cleland McAfee (1866-1944), recebeu a triste notícia de que as duas filhinhas de seu irmão haviam falecido, vítimas da difteria. Buscando consolo em Deus, ele escreveu a letra e a música de um hino que foi cantado pela primeira vez no dia do enterro das meninas.

Wednesday, 27 November 2019

Quase um discípulo


Não foi difícil renunciar
Às coisas podres que eu amava;
Até gostei de abandonar
A noite fria em que andava.

Mas era pouco…

A princípio, relutei:
“Sacrificar o meu melhor?”
Chorei, sofrendo, mas aceitei,
E tudo era do Senhor.

Mas era pouco…

E Ele repetia, com amor:
“Quem não negar-se a si mesmo…”
“Mas, Senhor!” clamei; “Senhor!
Negar-me a mim mesmo?
Virar as costas ao meu ‘eu’?
Tudo que tenho já é Teu!”
Paciente, Ele ainda perguntou: “Tudo?”
Envergonhado, respondi: “Quase tudo…”


(09/1992)


© W. J. Watterson

Friday, 20 February 2015

Oração de um pai

São tão pequenas e vulneráveis,
Tão lindas e amáveis …
Ah, Senhor! Guarde-as em Tua mão,
Dando-lhes paz e proteção.

Que cresçam com saúde e vigor,

Três rosas lindas em Teu jardim;
Que aprendam cedo do Teu amor,
Amando a Ti bem mais que a mim.

Eu quero tê-las sempre!
Ah, Senhor; vou amá-las sempre!
Mas o que lhe peço mesmo (hoje e sempre)
E que sejam Tuas, meu Senhor.

Leve-as de mim, se preciso for,
Mas Pai, nunca as prive do Teu amor!
Meu Pai, pelo Teu grande amor,
Salve-as do inferno de horror,
E preserve-as para Teu louvor.
Pela Tua misericórdia, Senhor!
Amém!

08/05/2004

© W. J. Watterson

Monday, 18 August 2014

Alguém orou

"Eastman Johnson, Child at Prayer, circa 1873" by Eastman Johnson


Escrito em 1996, livremente baseado num poema em inglês de F. M. Nesbit (leia o original).

Alguém orou

Das garras vis do tentador
Meu Deus salvou um pecador.
“Por quê?”, alguém pensou;
Porque alguém orou…

A fraca ovelha, sem vigor,
Foi restaurada com amor;
“Por quê?”, alguém pensou;
Porque alguém orou…

Olhando o fruto, o semeador
Agradeceu ao seu Senhor.
“Por quê?”, talvez pensou;
Porque alguém orou…

© W. J. Watterson

Monday, 11 August 2014

Preso (ainda)

Mais um poema antigo (este de Abril de 1995), e que também trata da terrível luta contra a carne. Prometo que na semana que vem posto algo mais animador e alegre. Creio que há proveito em reconhecer nossas fraquezas, e sem dúvida há uma beleza especial que nasce da tristeza. Como escreveu I. Y. Ewan: “There is a joy that lies where pearls lie, deep,/Too deep for those who have no heart to weep” (que quer dizer, mais ou menos: “Há uma alegria que se esconde com as pérolas no fundo do mar,/Fundo demais para quem nunca aprendeu a chorar”). Mas não convém ficar ocupado demais com estas coisas (“wallowing in the Slough of Despond”); é melhor, como disse Jeremias, “trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3:21).


Preso (ainda)

Quantas vezes tropecei!
Eu quis lutar (ah, como tentei!)
Mas cada vez que levantei,
     A carne ainda me seguia…

Um passo, dois, às vezes três,
E o ataque vinha outra vez;
Um golpe seco, de uma vez,
     E a carne ainda me vencia…

Com prepotência eu dizia:
“Chega! Agora nasce outro dia,
E eu irei vencer!” Eu ria,
     Mas a carne ainda me iludia…


Na Tua casa, meu Senhor,
(E só ali) serei um vencedor;
Terei pra sempre o Teu amor,
     E a carne nunca mais verei!

Só resta, agora, esperar…
E enquanto o dia não raiar,
Me ajude, ó Pai, a Te agradar;
     Pois a carne ainda me perturba…

© W. J. Watterson

Wednesday, 6 August 2014

Miserável homem que sou

Outro poema antigo (Fevereiro de 1995), baseado em Romanos 7:24-25. Como poema não é grande coisa, e a pobreza da rima chega a ser constrangedora em alguns versos (“entrega” e “trégua”, por exemplo). Decidi publicá-lo mesmo assim, com a expectativa de incentivar algum cristão na sua luta contra a carne. Quantas vezes desanimamos ao perceber a força e insistência da velha natureza, com seu ódio, sua preguiça, sua imoralidade. Quão preciosas as palavras com que Paulo encerra este capítulo: “Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor”.

Miserável homem que sou

Como eu queria ser perfeito!
Subir aos ares sem defeito,
Beijar as nuvens com a calma
Que só tem a pura alma!

Como eu queria Te agradar!
Mostrar que já consigo amar
Os que me odeiam, e servir
A todos, sem nada exigir!

Como eu queria…

Mas a carne não se entrega,
Não desiste nem dá trégua
Nesta luta angustiante,
Sem descanso, constante.

Eu clamo, então: “Quem me livrará?
A minha carne, quem a pisará?”
As trevas fogem; eis a luz:
“Graças a Deus por Cristo Jesus!”

© W. J. Watterson

Wednesday, 23 July 2014

Trevas e Luz

Eu vejo num abismo profundo
Um pobre enigma entristecido;
E preso, bem lá no fundo,
Gemidos de um sonho esquecido…

Eu vejo num abismo profundo
(Sem forma, sem cor, sem cheiro)
Uma centelha de outro mundo,
Um lampejo verdadeiro.

Eu vejo um abismo profundo
Perder-se de vista ante o meu Deus;
E vejo um pobre, fraco, e imundo
Achar descanso nos braços Seus.

Escrito em 23/12/94

© W. J. Watterson

Monday, 21 July 2014

Não julgues

Não critiques o homem que tropeça,
Que vai mancando, arqueado,
A não ser que conheças as suas dores
Ou já tenhas carregado o seu fardo.
Pode ser que haja calos em seus pés
Que ele não mostrou a ninguém;
Ou (quem sabe!) o seu fardo em tuas costas
Não te faria tropeçar também?

Não zombes do homem que está caído
A não ser que o mesmo golpe te atingiu,
Ou que conheças a humilhação
Que só conhece quem já caiu.
Talvez sejas forte, mas … quem sabe,
Se o inimigo viesse te atacar
Da mesma forma, nas mesmas circunstâncias …
Tais golpes não poderiam te derrubar?

Não apedrejes o homem que pecou
Como se fosses incapaz de errar,
A não ser que tenhas total certeza
De seres perfeito em teu andar.
Se o tentador viesse sussurrando,
Como fez com teu irmão,
Será que tu (às vezes descuidado!)
Não cairias nesta mesma transgressão?

(Escrito em Setembro de 1994, baseado num poema em inglês.)

© W. J. Watterson

Sunday, 13 July 2014

Por quê?

Há meses que choro, sem dor,
Abraçando um ermo sombrio;
Meus olhos suplicam por calor,
Mas meu sonho está tão frio…

Olhando de longe, eu vejo
Minha vida se quebrando.
As vezes, num breve lampejo,
Um sonho mártir sai vibrando,
Gritando que encontrou a paz;
Mas meus temores, qual vil açoite,
Gritam mais, que não há paz,
E eu me rendo à dor da noite…

E longe (bem longe) alguém me observa,
Confuso, sem saber o que dizer.
Um lindo anjo, puro, observa,
Mas não consegue entender.
“Senhor”, ele diz, “por que não confiam
No Teu amor, na Tua graça e paz?
Por que lutam, sofrem, se afadigam,
Se são ovelhas do Deus da Paz?”

O Deus da Paz não respondeu,
Mas pela Sua face santa uma lágrima escorreu…

(Escrito em Abril de 1994)

© W. J. Watterson

Wednesday, 29 May 2013

Tomé

Leia antes João 20:24-29



Disseram que viram meu Senhor [Jo 20:25]
Ah, como eu queria crer!
Mas ainda sinto forte a dor
De vê-Lo tanto ali sofrer [Lc 23:49]
    Naquela cruz.

Não pode ser; é um pesadelo!
Ainda me lembro dos gestos Seus,
E de como vim a conhecê-Lo;
Estar com Ele era estar com Deus
    Aqui na Terra.

Quanta coisa Ele nos ensinou!
Algumas vezes censurou-nos,
Mas a lição suprema que ficou
Foi o quanto Ele amou-nos [Jo 13:1]
    (Mesmo a mim!)

Como os demônios O temiam! [Mc 1:27, etc.]
E os doentes, vinham de todo canto. [Mc 1:32, etc.]
Até o vento e o mar Lhe obedeciam! [Mc 4:35-41]
(Quão grande foi o nosso espanto
    Aquela noite!)

Ah, como eu O amava…
Estava pronto a morrer por Ele, [Jo 11:16]
E mesmo enquanto O abandonava, [Mc 14:50]
Lá no jardim, queria estar com Ele.
    (Apesar do medo.)

Não é possível; é um pesadelo!
Ele não podia morrer! Não podia!
Ainda ouço o golpe seco do martelo, [Mt 27:35]
A zombaria imunda que dizia:
    “Desça da cruz!” [Mt 27:40]

Eu O vi morrer! Sim, eu vi! [Lc 23:49]
Eu ainda Te amo, Senhor,
Mas eu Te vi morrer! Eu vi!
E nem o tempo apagará a dor
    Que me oprime.

Disseram que viram meu Senhor…
Mas se eu não sentir o sinal dos cravos,
Sinais da Sua horrível dor;
Se não puser a mão no Seu lado
    Não crerei. [Jo 20:25]

Mas o que é isto? “Paz seja convosco [Jo 20:26]
É o meu Senhor! O mesmo que morreu!
Vejo Suas mãos, Seu lado, Seu rosto!
É o meu Deus! “Senhor meu, [Jo 20:28]
E Deus meu!

© W. J. Watterson — 10/05/2001

Monday, 27 May 2013

Perdão

Como dói ser traído por um irmão!
Parece, até, que a luz do Sol se esconde,
Que a Lua chama as estrelas a brilhar
Mas nenhuma delas responde…

Mas não revides; ora pelo teu irmão,
E deixa Deus julgar seus atos.
Só Ele vê o coração,
Só Ele sabe bem os fatos.

Se Ele vir o teu amor,
O teu perdão de coração,
Conhecerás o Seu amor,
Terás de Deus consolação —
E tudo, então, estará em paz…




© W. J. Watterson — 20/04/2003

Sunday, 26 May 2013

Guilherme Maxwell



“... hoje caiu em Israel um príncipe e um grande” (II Sm 3:38). Um pequeno tributo ao meu avô, falecido em Agosto de 2005; ele teria completado 96 anos em Dezembro daquele ano.





Deixou família e pátria, movido pelo amor;
Viveu em terra estranha, servindo ao seu Senhor;
Amava a cruz de Cristo, amava o Salvador;
Cuidava das ovelhas — um terno e bom pastor.
    Quantos exemplos!

Sua mala está desfeita*, findou-se toda a dor;
Ressoam lá na glória seus hinos de louvor;
Com gozo indescritível, sem medo ou dissabor,
Contempla a face santa do amado Salvador;
    Quanta alegria!

E nós, aqui na Terra, movidos pelo amor,
O seu lugar tomemos — sirvamos seu Senhor!
Que seu exemplo ilustre de amor ao Salvador
Nos torne corajosos até o Sol se por;
    Mas, ah! Senhor! Quantas saudades ...


© W. J. Watterson — 16/09/2005

* Durante a última década da sua vida, o Sr. Guilherme constantemente dizia que sua mala estava pronta para ir ao Céu. Hoje ele está lá, e sua mala, pronta durante tantos anos, já foi desfeita.

A espada embainhada

Louvemos ao servo fiel,
Que tinha espada mas não lutou;
Como o Senhor que, contra ódio cruel,
Suas legiões não chamou.

A espada embainhada maior mérito pode indicar
Do que daquele que luta com ferocidade;
“Melhor”, está escrito, “o ânimo controlar
Do que tomar uma cidade”.

Tua força é tua fraqueza, se abusá-la;
Tua coragem, covardia, se não domada;
Ter força para derrubar, e não usá-la,
É ter força duplicada!


Traduzido de “The undrawn sword”, de James M. S. Tait (do livro "Bells & Pomegranates")
© W. J. Watterson — 2009

Friday, 15 February 2013

O poema da aliança Davídica

”Querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do Seu conselho aos herdeiros da promessa, Se interpôs com juramento” (Hb 6:17).

Em cinco ocasiões na história da humanidade, Deus “Se interpôs com juramento”, firmando uma aliança com os homens: com Noé (Gn 9), com Abraão (Gn 15, etc.), com Moisés (Êx 19, etc.), com Davi (II Sm 23, etc.), e a nova aliança feita por intermédio de Cristo (Jr 31, etc.).

Na aliança feita com Davi, em que promete um Príncipe para reinar em justiça, Deus inspirou Davi para escrever um poema apresentando a aliança. Abaixo, procuro demonstrar como deve ter sido a divisão em versos e estrofes do poema encontrado em II Samuel cap. 23.

1ª estrofe: o escritor do poema

Diz Davi, filho de Jessé,
    E diz o homem que foi levantado em altura,
O ungido do Deus de Jacó,
    E o suave em salmos de Israel.

2ª estrofe: o verdadeiro Autor do poema

O Espírito do Senhor falou por mim,
    E a Sua palavra está na minha boca.
Disse o Deus de Israel,
    A Rocha de Israel a mim me falou:

3ª estrofe: o Justo Rei

Haverá um justo que domine sobre os homens,
Que domine no temor de Deus.

4ª estrofe: o brilho do Seu reino

E será como a luz da manhã,
    Quando sai o Sol,
Da manhã sem nuvens,
    Quando pelo seu resplendor e pela chuva a erva brota da terra.

5ª estrofe: a certeza desta aliança

Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus,
    Contudo estabeleceu comigo uma aliança eterna,
        Que em tudo será bem ordenada e guardada,
    Pois toda a minha salvação e todo o meu prazer está nEle,
Apesar de que ainda não o faz brotar.

6ª estrofe: o destino dos inimigos do Rei

Porém os filhos de Belial todos serão como os espinhos que se lançam fora,
    Porque não podem ser tocados com a mão.
    Mas qualquer que os tocar se armará de ferro e da haste de uma lança;
E a fogo serão totalmente queimados no mesmo lugar.”

Algumas explicações

Repare que as primeiro quatro estrofes são compostas de afirmações paralelas, em que cada verso é seguido por outro que expande a ideia apresentada no primeiro. É possível considerar cada um desses pares como um verso (assim as estrofes 1, 2 e 4 teriam apenas dois versos, e a estrofe 3 apenas um verso).

As últimas duas estrofes do poema estão na forma de quiasma. Na quinta estrofe, o primeiro e o último verso repetem a idéia de “ainda”, o segundo e o quarto verso falam do relacionamento entre Deus e Davi (Deus deu a Davi uma aliança eterna; Davi coloca em Deus toda a sua confiança e alegria), e o centro do quiasma é afirmação preciosa de que a aliança será ordenada e guardada. Na sexta estrofe, o primeiro e o último verso falam do destino dos filhos de Belial, enquanto que o segundo e o terceiro versos falam de tocar nestes filhos de Belial.

Graças sejam dadas a Deus pela promessa de que “haverá um Justo que domine sobre os homens, que domine no temor de Deus”, e que esta promessa será bem ordenada e guardada. Aguardamos o dia quando “aparecerá no Céu o sinal do Filho do Homem … vindo sobre as nuvens do Céu, com poder e grande glória” (Mt 24:30) para estabelecer Seu reino milenar.

© W. J. Watterson

Gideão (1969, conferência em Belfast, Irlanda do norte)

Mensagem dada pelo irmão C. Goldfinch   Podemos, por favor, abrir a Bíblia no livro de Juízes, no capítulo 6, versículo 16? A história d...