Quinta-feira, 19/11/2020
Aucas — Meditações 221
Os índios Aucas, na parte Equatoriana da floresta Amazônica, eram temidos por todas as tribos próximas. Atacados com violência pelos exploradores de borracha (no século XIX) e petróleo (no século XX), eles mantinham-se completamente isolados de qualquer outro ser humano, e defendiam esse isolamento de forma feroz e agressiva. Eram descritos como “matadores por natureza”.No dia 8 de janeiro de 1956, cinco jovens norte-americanos, que haviam pousado seu pequeno avião num banco de areia (que chamaram de “Palm Beach”) às margens do rio Curaray, foram assassinado de forma brutal e cruel pelos Aucas. Fazia meses que mantinham contato pelo ar com eles — sobrevoavam a aldeia jogando presentes, comida, e falando com eles por alto-falantes. Seu desejo era anunciar o Evangelho para os índios — mas foram mortos pelos homens que queria evangelizar. Seus nomes: Jim Elliot, Nate Saint, Pete Fleming, Roger Youderian, e Ed McCully.
As cinco jovens viúvas continuaram tentando alcançar esta selvagem tribo — e Deus abençoou seus esforços. Após muitos anos e muito trabalho, as práticas horríveis dos Aucas haviam sido deixadas de lado. Muitos deles haviam sido salvos, e igrejas locais haviam sido plantadas. A história de como o amor de Deus foi manifestado de forma prática por estas cinco viúvas é maravilhosa e fascinante.
Talvez um dos eventos mais tocantes desta incrível história foi um batismo realizado nove anos depois, na mesma “Palm Beach”. Quatro adolescentes foram batizados por dois Aucas. Os dois irmãos que conduziram a reunião e batizaram os jovens, Kimo e Dyuwi, haviam participado do ataque que matou os missionários nove anos antes. Dos quatro batizados, dois eram Aucas — os outros dois eram norte-americanos, com 16 e 14 anos. Eram Kathy e Steve Saint, filhos de Nate, um dos cinco assassinados.
Steve descreveu sua chegada no local: “No final da tarde, nossas canoas contornaram uma curva do rio, e Kimo apontou, de forma solene, para Palm Beach. Não era tão grande quanto parecia ser nas fotos tiradas quando meu pai esteve lá”. (Vários Aucas afirmam que a “praia”, que muda de tamanho conforme as chuvas, realmente nunca esteve tão longa quanto naquele fatídico janeiro de 1956, quando a praia era grande o suficiente para pousar um pequeno avião).
Uma jovem índia Auca que esteve naquele batismo, Dayuma (cuja mãe, Akawo, havia participado do massacre), escreveu: “Agora, nove anos depois, estávamos de volta a Palm Beach … A reunião começou ao amanhecer. Kimo pregou para os quatro adolescentes sobre o significado do batismo, e sobre a necessidade de deixar o pecado e viver para Deus … Kathy foi a primeira a ser batizada por Kimo e Dyuwi, que a submergiram no rio Curaray. Depois foram batizados Oncaye, Steve, e finalmente Iniwa. Encerrando a reunião, Kimo orou: ‘Senhor, muito tempo atrás, antes de conhecermos o Senhor, nós pecamos exatamente neste lugar. Mas agora, crendo em Ti, esperamos encontrar-Te nos ares’! Kimo e Dyuwi então conduziram o pequeno grupo da praia até uma clareira na floresta, até o local onde os missionários haviam sido enterrados.”
Marj Saint, esposa de Nate e mãe de Kathy e Steve, chorou com seus filhos diante do túmulo de Nate, abraçada a Rachel Saint (irmã de Nate, que também foi trabalhar entre os Aucas). Eram lágrimas de gratidão a Deus pela bênção resultante do sacrifício de Nate e seus quatro companheiros.
É um exemplo moderno de pessoas “dos quais o mundo não era digno” (Hb 11:38). “Portanto, nós também, pois que estamos rodeado de uma tão grande nuvem de testemunhas [testemunhas como estes cinco casais morte-americanos], deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, Autor e Consumador da fé” (Hb 12:1-2).
Informações adicionais
Livros
• Biografia de Jim Elliot por sua esposa (só versão digital): link
• Outra biografia dele, que não li: link
Filmes
Não assisti nenhum dos dois (prefiro ler), então não posso recomendar. Mas devem ser interessantes.
• “Terra selvagem” — filme no YouTube, dublado e legendado em português; quase duas horas de duração: link
• “A história de Jim Elliot” — desenho animado, dublado em português; 34 minutos: link
Fotos
Equipes de busca do governo Equatoriano encontram o avião, destruído pelos Aucas
© 2020 W. J. Watterson
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